Porque às vezes apetece, porque escrever é um acto intimista, sempre, porque arrumar palavras é uma emoção e porque somos um cadinho de intempéries e calmarias, onde por vezes faz sol, ou simplesmente o lado lunar nos inunda. São momentos, são sensações, são feixes de vida. Ou, porque, citando Florbela Espanca, é ser(es) alma, e sangue, e vida em mim…

Feixe em mim
Este feixe que me aperta o peito
Esmaga-me, tortura-me, trucida-me.
Esta dor que não tem nome
E não posso partilhar.
Sou flor pisada, caída no chão.
Nervo que se torce, ferida que não se vê.
É sangue, é dor, é ferida em mim.
Prendo um murmúrio que se queria grito,
Lágrima amarga que não escorre.
Levo um constrangimento que me algema,
Encarcera e angustia.
Vou no sentido oposto,
Passo ao lado do sul.
Palmilho terras sem nome.
E em mim
Sentimento ofendido.
Anabela G.
publicado in Jornal Renascimento
Não há cárcere que encerre as palavras de tão belo e sentido texto. Esse grito ouvir-se-á, certamente porque és alma e sangue e vida...em ti.
ResponderEliminarParabéns.
BS
As emoções trespassam a nossa vida e de vez em quando sai-nos um grito... Obrigada por o ouvires, BlueShell, também já te acompanho, já vi que também gostas de arrumar as palavras que encontras dentro de ti.
ResponderEliminarAbraço
a dor da alma tao simplesmente bem definida.
ResponderEliminarSim. Sim, estas palavras foram escritas com um sentimento verdadeiramente ofendido. Sentido.
ResponderEliminar